Cotação do açaí atinge recorde histórico e governo estuda reajuste a produtores
O preço do açaí atingiu alta histórica no mês de maio e o aumento
refletiu no preço da polpa vendido em Belém (PA) e em outros estados
produtores. O açaí médio, tipo mais consumido no Pará, registrou aumento
de 25% de janeiro a maio deste ano e o valor médio do litro do fruto
está em R$ 12,80. De acordo com o Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que acompanha o preço do
açaí desde a década de 1990, os motivos da alta são o período de
entressafra e o crescimento da demanda no País.
“O período da entressafra da fruta, no Pará, ocorre de janeiro a
junho, os preços ficam altos; já no período de julho a dezembro, os
preços caem e depois se mantêm”, avalia Elizabeth Turini, da Gerência de
Produtos da Sociobiodiversidade da Companhia Nacional de Abastecimento
(Conab), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Não existe um padrão de comercialização para o açaí, pois em alguns
municípios a produção é vendida para agentes da cadeia que possuem
condições de transportá-la aos centros de comercialização. Com base no
estudo da cadeia produtiva constatou-se que 68,6% da produção de fruto
são comercializadas por intermediário e, apenas 31,4% são vendidos pelo
próprio extrativista diretamente aos despolpadores.
Há 20 anos, o açaí era consumido apenas no Pará. Em meados da década
de 1990 começou a se popularizar como energético e entrou na pauta de
exportações. A demanda cresceu e o preço subiu. De acordo com o biólogo e
geneticista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa),
Charles Clement, o apelo do açaí reside no fato de ser uma fonte de
energia eficiente e natural. 'O óleo do açaí é pura energia. Nosso
fígado degrada o óleo para criar o açúcar que é queimado no corpo quando
realizamos atividades físicas. Por isso, o açaí faz sucesso entre
atletas e em academias', afirmou.
O mais recente levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, aponta que o Brasil produziu
124 mil toneladas de açaí. O Pará, maior produtor, com 107 mil
toneladas, concentra 87% da produção nacional. De acordo com o
Ministério da Agricultura 70% do açaí do Pará é consumido no próprio
estado, 20% vai para o restante do País e 10% para o exterior. Os
Estados Unidos quadruplicaram o consumo do açaí brasileiro nos últimos
anos. O produto nacional também é embarcado para o Japão, China e
Rússia.
O Governo Federal estuda reajuste de 8% no preço mínimo do açaí
para vigorar a partir de julho deste ano até junho de 2013. A proposta
para o novo preço mínimo é de R$ 0,90. Atualmente, o preço mínimo é de
R$ 0,83/Kg. A Política de Garantia de Preços Mínimos para os Produtos da
Sociobiodiversidade é feita por intermédio de subvenção direta. O
extrativista, enquadrado com agricultor familiar, tem direito a receber a
diferença entre o preço de mercado e o preço mínimo aprovado, toda a
vez que o preço de mercado estiver abaixo do preço mínimo é subvenção
direta, na conta do extrativista.
O açaí está incluído nos produtos extrativistas do Plano Nacional de
Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade (PNPSB), lançado
em abril de 2009, em Manaus (AM), sob a coordenação dos ministérios do
Desenvolvimento Agrário (MDA), Meio Ambiente (MMA), e Desenvolvimento
Social e Combate a Fome (MDS) e a Conab. A valorização de produtos
extrativos obtidos mediante a conservação e uso sustentável dos recursos
naturais por povos e comunidades tradicionais e pelos agricultores
familiares é parte da estratégia do Governo Federal para promover o
desenvolvimento sustentável.
O Ministério da Agricultura e Secretaria de Ciência e Tecnologia
do Pará estudam o reconhecimento de Indicação Geográfica (IG) do
município paraense de Igarapé-Mirim para o açaí por tratar-se de um
produto tipicamente paraense, fruto da palmeira Euterpe oleracea, nativa
das várzeas da região amazônica.
O registr o de IG é conferido a produtos ou serviços
característicos do seu local de origem, o que lhes atribui reputação,
valor intrínseco e identidade própria, além de distingui-los em relação
aos seus similares disponíveis no mercado. Esses produtos apresentam uma
qualidade única em função de fatores naturais como solo, vegetação,
clima e saber fazer (“know-how” ou “savoir-faire”). O Instituto Nacional
de Propriedade Industrial - INPI é a instituição que concede o registro
e emite o certificado. A IG de Igarapé-Mirim se tornou um importante
instrumento para o desenvolvimento do município e para toda a cadeia
produtiva.
FONTE: ORM
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